quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Aprendendo a viver



Aprendi que se aprende errando;
Que crescer não significa fazer aniversário;
Que o silêncio é a melhor resposta quando se ouve uma bobagem;
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro;
Que amigos nós conquistamos mostrando o que somos;
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim;
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face;
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela;
Que, quando penso saber de tudo, ainda não aprendi nada;
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida;
Que amar significa se dar por inteiro;
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos;
Que se pode conversar com estrelas;
Que se pode confessar com a Lua;
Que se pode viajar além do infinito;
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde;
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso;
Que se deve ser criança a vida toda;
Que nosso ser é livre;
Que Deus não proíbe nada em nome do Amor;
Que o julgamento alheio não é importante;
Que o que realmente importa é a Paz interior;
E, finalmente, aprendi que não se pode morrer para se aprender a viver...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Certas coisas



Quantas palavras deixamos de falar no decorrer de nossas vidas...
Quantos sentimentos ocultamos em nosso coração por medo de sermos mal interpretados.
Quantos gestos evitamos...
Quantos atos deixamos de praticar...
Quantos sonhos deixamos morrer...
Não nos damos conta que a vida segue adiante, o tempo não pára e as oportunidades perdidas não voltam mais.
Assim, a palavra de carinho, o sentimento mais nobre, o gesto de amor, o sonho tão desejado ficam perdidos marcando o nosso passado.
Por que isto acontece?
Medo? Falta de coragem? Descuido?
Não importa o motivo!
Fale mais!
Não oculte seus sentimentos!
Tenha mais gestos de carinho!
Pratique mais atos de solidariedade!
Não deixe os sonhos morrerem, ainda mais se forem bons!
Acredite em seu potencial!
Viva com mais confiança em Deus!
Acredite num futuro melhor!
E viva cada segundo da melhor forma possível, não esquecendo que a felicidade está dentro de Você!!

(Desconhecido)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A pessoa errada



Pensando bem... em tudo o que a gente vê e vivencia e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente, existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar, é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho, chega na hora certa, fala as coisas certas,faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, fazer loucuras, perder a hora, morrer de amor. A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar que é pra na hora que vocês se encontrarem a entrega ser muito mais verdadeira. A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa, essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas, essa pessoa vai tirar seu sono, mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível, essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão, essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você, vai estar o tempo todo pensando em você. A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo porque a vida não é certa, nada aqui é certo, o que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo e só assim é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo". Quando, na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...

(Luis Fernando Veríssimo)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A distância



Na real, distância é:
A separação de dois corpos que se amam...
É afastar o olhar um do outro...
É ter que soltar as mãos que estão juntas... Por algum tempo, talvez pouco, ou muito, um tempo...
Distancia é desunir dois lábios que se beijam...
É desgrudar a emoção do momento...
É trocar os corações de lugar (O meu bate aí no seu e o seu bate aqui no meu)...
Distância é amar em pensamento, chorar em silencio, imaginar um momento, ver o dia amanhecer, sentir o sol aquecer, saber que seu amor está longe e ao mesmo tempo perto.
Vivo em você, perto dos seus desejos, seus sonhos, de sua imaginação...
Distância é sentir esperança, saudades, acreditar que outro dia irá amanhecer e, quem sabe, a distância não vai ficando pequena a ponto de te fazer presente, onde seu pensamento deseja, elevar seu sentimento aonde seu coração almeja, esperar-te, te sentir, e te amar mesmo distante... É saber o que é distância do amor.

(Desconhecido)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mente feminina




Numa manhã ensolarada, Clara toma seu café da manhã com Roberto, seu marido. Estava tentando ignorar o fato de que ele andava um tanto esquisito, pensava na hipótese dele ter feito alguma coisa realmente preocupante. Andava tão preocupada e frustrada pensando nisso que chegou até a perder algumas noites de sono, sem contar os problemas no serviço que estavam enlouquecendo-a. E agora mais essa. Não sabia bem como poderia fazê-lo dizer o que tinha feito, uma vez que ela tinha certeza que ele realmente tinha feito algo. Ficou pensando uns instantes enquanto tomava seu suco. Ah, uma idéia! Papo furado! É! Aquela coisa de ficar falando de coisas que, como ela bem sabe, pouco importam para ele. Talvez assim ele se irritasse e falasse logo que estava com outra. Então, começou a pensar em algo extremamente desinteressante para falar e... O quê? Ela o observou com curiosidade. Ele estava estranhamente distante, olhando para a janela do apartamento. Um jeito meio distante demais para a infelicidade dela. Deveria estar pensando numa piranha qualquer, pensou. E em seguida olhou também na mesma direção que a dele, mas não viu nada que pudesse chamar sua atenção ao ponto de fazê-la crer que ele estava olhando para janela por interesse, e não porque estava absorto em pensamentos. Pensamentos pelos quais ela daria a vida para saber.

– Amor, você não sabe! – ela começou depois de concluir que os pensamentos do marido não seriam lidos através de telepatia – O capítulo final daquela novela foi um horror! Eu não acredito que eu desperdicei seis meses da minha vida para ver aquele final! A Estela não podia ter morrido, não podia mesmo. – ela finalizou com uma expressão de desapontamento totalmente forçado.

Roberto se limitou a colocar mais leite em sua tigela de cereal, em seguida voltando sua atenção para a janela novamente e respondendo:

– É, amor, deve ter sido um absurdo mesmo.

Ahn? Escutei bem? Clara, depois dessa, estava pensando se ainda podia confiar em seus ouvidos. Como assim ele concordou? Ele normalmente responderia dizendo que essas novelas não prestam e colocaria toda a sua arrogância em uma frase como: “Bem feito. Eu sempre falo para você não gastar seu tempo com essas porcarias, não falo?”. Clara mordeu os lábios em um misto de nervoso e curiosidade, alguma coisa estava realmente errada.

– Bom, deixando esse assunto de novela para lá... Você viu que estão faltando algumas coisas no armário, não é? Temos que ir ao supermercado.

Agora ela iria tentar novamente, mas com outra tática. Iria tentar algo mais incisivo, que certamente criaria uma briguinha costumeira. Talvez só assim ele falasse logo de uma vez.

– Aliás, amor, aproveitando essa coisa de supermercado... Eu queria conversar contigo de novo sobre aquele jogo de panelas que estava em promoção e você não quis comprar. Poxa! Você sabe que estamos precisando de algumas panelas. Algumas das nossas estão quase imprestáveis. Precisamos de outras! Sei que aquele jogo lá é um pouco caro mesmo em promoção, mas, pensa bem, melhor algo de qualidade e caro do que algo ruim e barat...

– Claro, amor. Vamos comprar. – Roberto a interrompeu, parando sua colherada de cereal no meio do caminho à boca.

Houve um momento de silêncio onde Roberto, ainda com a colher parada no ar, decidiu olhar para Clara uma vez que aquele silêncio lhe soava estranho. O que ele viu foi compreendido em instantes. Era óbvio que Clara não acreditou no que ele havia dito. O olhar perplexo dela não lhe deixava dúvidas quanto a isso. Então, ele calmamente terminou de levar a colher à boca e enquanto ainda mastigava, completou:

– Eu fui fritar um ovo ontem de manhã e o cabo da frigideira soltou. – ele a olhou com seriedade – Realmente, amor... Você estava certa. Nós precisamos mesmo de panelas novas. – finalizou engolindo o conteúdo que mastigava e em seguida desviou o olhar.

Depois de alguns longos instantes encarando Roberto com um olhar interrogativo, Clara percebeu seu silêncio e respondeu:

– Ah... É... Que bom que... Reconheceu isso. – respondeu pausadamente, enquanto seus pensamentos gritavam em conflito.

Como assim? O que poderia ter ocorrido? Aquilo era um sinal do apocalipse ou o quê? Não estava certo, o Roberto que ela conhecia nunca admitiria daquela forma o quanto estava errado. Aquilo tudo estava deixando-a cada vez mais preocupada. Se bem que pelo menos ele já não estava mais tão distante, ela pensou. Ou então o fato dele não estar mais distante era algo pior? Ele agora a olhava com uma expressão carinhosa. Carinhosa... Quem eu estou querendo enganar? Ele está me olhando com pena, pensando o quanto sou trouxa, ela pensou irritada. E então cutucou com um pouco de violência uma de suas torradas, e ponderou a hipótese de continuar a conversa. No fundo já estava se convencendo que só um chilique faria com que ele falasse o que havia feito. Mas ela considerou: se ela fosse extremamente amável e atenciosa, quem sabe ele não sentiria remorso e assim não confessava? Lá foi Clara, mais uma vez:

– Falando em panelas, há uns dois dias vi uma receita ótima em um programa. Sabe aqueeela torta de morango com calda que você adora? Estava passando uma receita de uma torta dessas, só que bem mais incrementada. Tinha chantilly e um monte de outras coisas que devem deixar a torta maravilhosa! E, sabe amor... Quando vi isso instantaneamente pensei em você, em fazer aquela receita para o meu amorzinho! – ela se levantou de sua cadeira e se aproximou de Roberto, fazendo um gesto, indicando que ele deveria afastar um pouco a cadeira onde estava sentado, da mesa. E assim que ele atendeu seu pedido, ela sentou-se em seu colo – O que você acha, amor? – ela finalizou cinicamente todo o seu teatro dando um selinho em Roberto que aparentou não perceber a farsa, se limitando a apreciar o beijo.

– Hum... Eu acho ótimo! – Ele a abraçou e em seguida abaixou a cabeça – A propósito... – Clara o olhou atentamente, só podia ser agora, essa técnica era mesmo infalível – Até que enfim você decidiu parar de tagarelar besteira e ser mais romântica, hein? Parece até que se esqueceu do nosso aniversário de 5 anos. –ele levantou a cabeça e a olhou nos olhos.

Clara franziu a testa enquanto retribuía o olhar. Estava um tanto aflita, ela realmente havia se esquecido totalmente disso. E em seguida, sem que houvesse chances para que ela começasse com mais pensamentos conturbados, Roberto expirou forte e continuou:

– Acordei pensando nisso hoje. Estava tomando café aqui e relembrando tudo o que passamos para hoje estarmos aqui, sabe? E nem foi só hoje não que andei pensando nisso tudo... Ando gastando bastante tempo com isso. – Roberto ficou uns instantes olhando para o nada enquanto Clara o observava, ele soltou um riso baixo e abafado, e prosseguiu - É... Acho que nunca fui tão feliz. Aliás, pensei tanto que tive até a idéia de viajarmos para comemorar. O que acha? – Roberto abriu um dos sorrisos mais puros e bonitos que Clara já pôde ter presenciado.

Nesse momento, Clara estava se sentindo a pior das criaturas enquanto amaldiçoava sua própria mente.


(Caroline Marques)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mude




Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas. Mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!

(Edson Marques)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Filtro Solar




Senhoras e senhores, filtro solar!

Nunca deixem de usar filtro solar!

Se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro, seria esta: use filtro solar.

Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência; já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.

Aproveite bem, ao máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas, pode crer, daqui a vinte anos, você vai evocar as suas fotos e perceber, de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, quantas tantas alternativas se escancaravam à sua frente, e como você realmente estava com tudo em cima. Você não está gordo! Ou gorda... Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra. As encrencas de verdade de sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às quatro da tarde de uma terça-feira modorrenta. Todo dia enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo mesmo. Cante! Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano. Use fio dental! Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo. Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine. Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos. Estique-se. Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois, o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem. Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles. Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer, não se autocongratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim com todo mundo. Desfrute do seu corpo. Use-o de toda maneira que puder. Mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele. É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir. Dance! Mesmo que não tenha onde, além de seu próprio quarto. Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois. Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feia. Dedique-se a conhecer os seus pais. É impossível prever quando eles terão de ir embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro. Entenda que os amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque, quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando jovem. More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas vá embora antes de amolecer. Viaje! Aceite certas verdades inescapáveis: Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear. Você, também, vai envelhecer. E, quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos. E não espere que ninguém segure sua barra. Talvez arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez se case com um bom partido. Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar. Não mexa demais nos cabelos, senão quando você chegar aos quarenta, vai aparentar oitenta e cinco. Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo, por mais do que vale. Mas, no filtro solar, acredite.

(Mary Schmich - Traduzido por Pedro Bial)

A morte


"A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!!
A troco de que? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.Qual é? Morrer é um chiste.Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.Ok, hora de descansar em paz.Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!"


(Pedro Bial)